segunda-feira, setembro 06, 2004

Nas asas da economia

Empresas aéreas européias ganham mercado ao chegarem a cobrar menos de uma libra por passagem

Já imaginou voar de Londres a Roma por apenas R$ 3? E ir de Glasgow, na Escócia, até Estocolmo, na Suécia, por cerca de R$ 9? Pois esses preços baratíssimos não são apenas imaginação. Na Europa, as companhias aéreas de baixas tarifas estão em plena expansão, oferecendo passagens a preços cada vez mais surpreendentes e abocanhando fatias significativas do mercado.


Duas empresas de grande expressão nesse cenário econômico são as britânicas Easyjet e Ryanair. Operando mais de cem rotas cada uma e cobrindo quase todos os principais destinos da Europa, seus preços começam em incríveis 45 centavos de libra.

Os valores muito baixos realmente impressionam. É mais barato viajar de avião do que comprar um cookie na esquina! É bastante comum também que as passagens custem menos do que as taxas de embarque dos aeroportos. Os preços são ainda bem inferiores aos dos passes de trem e aluguéis de carro, alternativas antes utilizadas por quem queria economizar.

É bem verdade que nem todos os assentos do avião são vendidos por essa bagatela. As tarifas vão aumentando à medida que se aproxima a data do vôo, chegando a mais de 100 libras em alguns casos (o que, ainda assim, é bem mais barato do que nas companhias regulares). Mas a oferta e o número de vôos é tão grande que não é difícil conseguir voar gastando muito pouco. Quanto maior a antecedência, sempre melhor, mas até na véspera dá para arranjar passagens com preços entre 10 e 20 libras.

Mas como é possível operar - e, vale dizer, com boa margem de lucro - vôos tão baratos? O secretário geral da Associação das Companhias Aéreas Européias de Baixa Tarifa (Elfaa), Jan Skeels, aponta algumas explicações.
Em primeiro lugar, elimina-se todas as regalias que encarecem as passagens e que podem ser facilmente dispensadas pelos viajantes. Assim, não há emissão de bilhetes, por exemplo, e as companhias não contam com lojas ou agências, sendo todas as vendas feitas pela internet e pelo telefone. Nos vôos, até existe serviço de bordo, mas bebidas e lanches são vendidos - a preços altos -, e não distribuídos.

Outra vantagem operacional dessas companhias tem a ver com a capacidade de ocupação dos vôos. Permitindo menos quantidade de bagagem que as empresas tradicionais, sobra espaço no avião para acomodar mais passageiros. Na Ryanair, por exemplo, viagens internacionais dão direito a apenas um volume de 15 quilos, mais a bagagem de mão, de 10 quilos, com medidas rigorosamente conferidas.

- Mas a principal explicação realmente é que nenhuma dessas companhias decola ou aterrissa nos aeroportos principais da Europa - diz Jan Skeels.

Em Londres, por exemplo, um dos pontos de partida é o aeroporto de Stansted, a cerca de uma hora e meia do Centro. Já em Roma, o destino não é o internacional Fiumicino, mas sim o Ciampino, também a uma hora e meia da região centraIsso dá às linhas aéreas duas vantagens fundamentais. A primeira é que as taxas de utilização cobradas por estes aeroportos são muito menores do que a de um Heatrow ou um Charles de Gaulle. E a segunda é que em função do movimento de aeronaves infinitamente menor, empresas com Ryanair e Easyjet conseguem otimizar o tempo que permanecem em solo, aumentando o número de vôos diários.

Quem ganha com isso, por tabela, é o passageiro que conta com extrema pontualidade. Para se ter uma idéia, em maio, a Ryanair apresentou índice de 93,2% de aterrissagens no horário e a Easyjet de 84,2%, ficando as duas a frente da British Airways, com 82,6%.

A explosão das companhias de baixa tarifa é relativamente recente. A Ryanair está no mercado desde 1985, e a Easyjet, desde 1995, mas só nos últimos anos conseguiram baixar os preços dessa maneira. A Elfaa só foi criada em 2003. No rastro do sucesso, muitas antigas companhias mudaram de perfil para tentar aproveitar a boa onda no mercado e outras tantas surgiram. Com menos opções de rotas e destinos, a Flybe, a irmã menor inglesa, decola principalmente de Southampton, e voa dentro do Reino Unido, e para alguns pontos no resto da Europa. Há ainda a Skyeurope, operando a partir do leste europeu, a Basiq Air e a Transavia, que partem da Holanda, Wizz Air, saindo da Polônia, e a Volareweb, partindo da Itália. A Air Berlin e a HLX ligam diversas cidades alemãs aos principais pontos europeus. E a dinamarquesa Sterling trabalha com o mercado escandinavo. Vale tentar.

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Reportagem de Camila Pereira, do JB On-line.